A Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a proibição de bets no Brasil vem causando enorme revolta no futebol brasileiro. Sem os patrocínios de casas de apostas, os clubes ameaçam paralisar o Brasileirão.
De acordo com o jornal Estadão, dirigentes de clubes da elite nacional intensificaram, nesta segunda-feira (28), a articulação contra a MP e discutem a medida extrema de paralisação.
A ameaça de paralisar o Brasileirão tem dois objetivos: pedido de um período de transição de seis meses a um ano para encerrar a publicidade das bets e pressionar a CBF para ajudar na luta contra a MP do Governo.
Os clubes tinham uma reunião marcada com o Governo nesta terça-feira (29), porém foi cancelada devido boa parte dos presidentes avisarem que não participariam.
Como ficam os patrocínios dos clubes?
Com a proibição dos jogos e divulgações, os clubes brasileiros terão que remover os patrocínios relacionados a casas de apostas de seus uniformes, redes sociais, centros de treinamento e até mesmo da nomenclatura de estádios.
Dos 20 times que disputam a Série A do Brasileirão em 2026, 14 têm uma casa de apostas como patrocinadora principal. Todos precisarão produzir novos equipamentos para poder entrar em campo.
A Medida Provisória também deve fazer os patrocínios serem suspensos, comprometendo grande parte da receita dos clubes brasileiros.
Patrocínios de bets no Brasileirão:
- Flamengo (Betano) – R$ 220 milhões
- Corinthians (Esportes da Sorte) – R$ 150 milhões
- Palmeiras (Sportingbet) – R$ 100 milhões
- São Paulo (Superbet) – R$ 90 milhões
- Atlético-MG (H2Bet) – R$ 60 milhões
- Fluminense (Superbet) – R$ 58 milhões
- Botafogo (Vbet) – R$ 55 milhões
- Cruzeiro (Betnacional) – R$ 50 milhões
- Vasco (Sportingbet) – R$ 50 milhões
- Grêmio (Pitaco) – R$ 46,7 milhões
- Santos (Novibet) – R$ 35 milhões
- Vitória (7K Bet) – R$ 20 milhões
- Remo (Vaidebet) – R$ 12 milhões
- Chapecoense (ZeroUm) – R$ 10 milhões
*Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Internacional, Mirassol e RB Bragantino não possuem patrocínio máster com casa de apostas
Qual é o tamanho do prejuízo para os clubes da Série A?
Em levantamento realizado pelo “UOL Esporte”, verifica-se que, hoje, um a cada três reais das receitas dos clubes da Série A é proveniente das casas de apostas. Em 2025, R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,069 bilhões arrecadados com patrocínios teve origem nessas empresas.
Com a Medida Provisória anunciada pelo presidente Lula, o futebol brasileiro enfrenta a iminência de perder mais de R$ 1 bilhão anuais em patrocínios de forma repentina, segundo o “Info Money”.
“Isso (assinatura da Medida Provisória) traria impactos desastrosos para o Flamengo como um todo, não só no futebol, mas também nos esportes olímpicos. A gente estima que as perdas imediatas de receita para o ano que vem sejam de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões e, sem um preparo prévio, é absolutamente impossível que você consiga estancar essa sangria”, disparou o presidente do Flamengo, Bap, pouco antes da assinatura da MP.
Como o setor de apostas representa cerca de 33% do faturamento comercial de marketing dos times (ou 7,9% do orçamento geral total da Série A), a interrupção abrupta do fluxo de caixa compromete diretamente a folha de pagamento de diversas equipes.
Casas de apostas como Superbet, Betano e Esportes da Sorte já começaram a notificar preventivamente os clubes sobre a rescisão ou suspensão imediata dos contratos diante do novo decreto de proibição, segundo a “VEJA”.
Cariri Esporte
Com 365 Scores / Foto: Staff Images/CBF